Início > blogs, pai, paternidade, recomendações > contando histórias :: missão virtual

contando histórias :: missão virtual

Eu sei que já puxei saco/fiz jabá/recomendei o blog do meu irmão mais velho na semana passada, mas o danado se superou de novo! Vou tomar a liberdade (nem pedi pra ele) de reproduzir o texto na íntegra, pra não te dar chance de perder essa beleza de crônica de paternidade.

– Papai?
– Oi, filha.
– Senta aqui comigo.
– Claro, querida. Que que você quer?
– Histórinha, papai! Conta uma histórinha?

E lá vou eu. Em minha saga diária de inventar histórias. As preferidas envolvem uvas (isso aí, uvas. Vai entender…) e um passarinho que vive na árvore da casa da vovó. O resto do enredo é por minha conta e risco. E bota risco! As tramas precisam ser originais, senão:

– Não, papai, essa não. Outra.

Às vezes, eu crio histórias aleatórias, por puro entretenimento. Mas em outros momentos, acabo achando que essa é uma chance de incutir bons princípios e ensinamentos na mente da minha filha. E é nessas horas que uvas deixam de chupar chupetas, fazem orações de agradecimento e passarinhos dividem brinquedos com seus amigos de escola.

Fico tentando pensar num jeito de fazê-la entender verdades importantes, de ser educada de um jeito divertido e aprender um pouco sobre o Deus que eu amo, sobre as coisas certas, sobre ser obediente, sobre torcer pro São Paulo.

E acho que as histórias são um bom jeito para isso. Funcionaram comigo, afinal. Quer dizer, funcionam. Seja quando criança, freqüentando a biblioteca pública ao lado da minha escola no Bom Retiro ou lendo as dicas da revista Alegria. Seja agora, já adulto, extraindo valores dos bons romances que carrego pra todo lado embaixo do braço ou entendendo que através das Escrituras, Deus me mostra suas ilustrações e princípios – porque, em certos casos, não importa tanto a literalidade dos fatos, mas seu significado e efeito.

– Papai, conta uma história de você?
– Conto. Qual você quer?
– De você pequeno. Na bicicleta.

Agora ela deu de querer saber da minha infância.

A verdade é que pais são seres insondáveis, grandiosos, infalíveis, perfeitos – e eu tardo a me dar conta de que eu sou, para minha menininha, um herói. Seu mundo, sua história, tudo parece despertar a curiosidade dos filhos. E de alguma forma, é nesse olhar, nessa expectativa toda, que as crianças firmam sua referência.

Eu me lembro do meu pai enquanto eu ainda era criança. Ele era o homem mais forte, o melhor jogador de futebol, o motorista implacável, o churrasqueiro talentoso e, além do Magnum, o único cara bonito de bigode que poderia existir no mundo. E ele me contava as histórias sobre sua vida no sítio, sobre o pai que perdeu na infância, a vinda para a cidade grande… e me ensinou a andar de bicicleta!

E quem imaginaria que tirar as rodinhas da minha Caloi azul-marinho seria, décadas mais tarde, um grande exemplo de bravura e traria novamente à tona todo o sentimento de conquista e liberdade daquele dia? Quem diria que uma dolorosa cicatriz no joelho seria tão útil para ensinar a Nina sobre certos cuidados que devemos ter ao brincar com os amiguinhos – especialmente se for um pega-pega ultra-mega-super-rápido em volta de uma Kombi num chão cheio de areia?

Todo filho deseja conhecer seu pai. E nessa relação de descoberta, das pequenas coisas e das grandes conquistas, o relacionamento amadurece. No conhecimento transmitido, no aprendizado ensinado e nas histórias inventadas. Na troca de palavras e no toque, nisso se solidifica o amor e se edifica uma vida de cumplicidade. Nisso, um filho admira seu pai, o homem se apaixona por Deus, um pai se aproxima do filho, Deus se revela ao homem, um garoto escolhe seu time de futebol e a paternidade ganha um sentido assustador.

Às oito e meia ela dorme. Depois de ouvir uma ou duas histórias, eu cubro minha menina, oro por ela uma outra vez, desejo que tenha sonhos encantadores e deixo o quarto com a luz indireta acesa, sem deixar de estar atento a cada um de seus movimentos.

Então eu me acomodo num canto da sala, recosto a cabeça em algo macio e, com a Bíblia aberta nas mãos, balbucio meu pedido:

– Pai, senta aqui comigo? Me conta uma história de você?

Contando histórias « Missão Virtual.

Anúncios
  1. Luiza Meyer
    02/07/2010 às 22:35

    Obrigada pela dica do frasesdecriancas!!!!

  2. Luiza Meyer
    15/05/2010 às 19:41

    Adorei conhecer seu blog!

    Sou escritora de livros infantis e gostaria de compartilhar o endereço do meu blog com vocês, é o palavradecrianca.wordpress.com, que reúne divertidíssimas pérolas de crianças de 1 a 7 anos! Ficaria honrada se pudessem divulgá-lo!

    Grande abraço e muito sucesso! Luiza Meyer

    • 15/06/2010 às 13:50

      Olá, Luiza. Desculpe a demora em responder, estive meio enrolado esses dias…

      Bacana o seu blog, vou acrescentá-lo em meu blogroll!

      Vou fazer uma sugestão. Conhece o http://www.frasesdecriancas.com/? É muito bacana, e tem uma proposta parecida com o seu.

      Abraços, e obrigado pela visita!

  3. 03/05/2010 às 10:37

    Parabéns atrasado pelo Aniversário!!!
    Parabéns pelo blog e pela inspiração para criar o meu!!
    Muito Obrigado pelo apoio e carinho que sempre tem demonstrado comigo e com a Sra. C. e com o Sr. L e a Srta. G.
    Apesar da distância, agora um pouco menor graças ao Sr/Srta. B que vem aí..
    Um grande abraço e até breve!!

  4. 30/04/2010 às 14:15

    Que coisa linda hein!? abs!

    • 06/05/2010 às 13:31

      Valeu! Chegou minha encomenda! Que lindo trabalho gráfico, hein?! Parabéns pelo talento e pela criatividade!

  5. 29/04/2010 às 12:27

    ai meu olho enche dágua só de pensar na paternidade de deus.
    coisa linda!

    • 06/05/2010 às 13:30

      Lindo, né? Só meu irmão pra escrever uma coisa dessas…
      Vou avisar o Hilan também, mas já chegou a minha encomenda! Valeu!

  6. 27/04/2010 às 23:18

    oLÁ! nem sei como cai aqui no teu blog ,mas ainda bem que cai,rsrs..adorei,parabens pelo blog! não deixe de continuar postando, é interessante ver a criação dos filhos pelas] perspectiva de um pai,ainda mais com um texto legal de se ler! 🙂

    • 06/05/2010 às 13:29

      Pois é, tem um monte de blog nos meus links que eu também não sei como cheguei…
      Mas enfim, obrigado por ter caído por aqui! Vou fazer uma visitinha por aí também…

  7. 23/04/2010 às 13:38

    oi, parabéns pelo blog, adorei. já sou fã e linquei no meu. beijos

  8. luciana
    14/04/2010 às 21:03

    que texto lindo!
    se era para fazer chorar, conseguiu.
    parabéns pelo belo pai e escritor que você é.

    • 15/04/2010 às 13:40

      Olá, Luciana! Obrigado pela visita!
      Lindo, né? É emocionante mesmo.
      Quando meu irmão crescer, ele vai ser escritor.

      Abraços!

  9. 09/04/2010 às 15:21

    Neo,

    Eu nem agradeci devidamente a recomendação da semana passada (tenho um email aberto, com seu endereço escrito e um monte de palavras de gratidão para despejar ali) e você já me vem com essa… obrigado, cara.

    E pelas suas palavras, eu acredito mesmo na mensagem, fico feliz com a citação e ignoro solenemente a mentira deslavada da primeira frase (eu tenho 29, você tem 32, logo… quem é o mais velho aqui?).

    Beijo. Até!
    Rique

    • 09/04/2010 às 16:52

      Esses irmãos mais velhos, sempre bricalhões! Desde pequeno sou vítima das brincadeiras dele… HAHAHA… Fazer o quê, como irmão mais novo sempre fui mais ingênuo…

      Você merece todos os elogios e mais um pouco, Rique!

      Beijos, inté!

  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: