Todo mundo tem uma música que lembra alguém, principalmente os casais.
Com a Sra. Paiéquemcria, tenho várias.
Música do primeiro beijo, do bilhetinho trocado na escola, dos tempos díficeis…
Eu tenho minha canção com a Srta. B. Pra falar a verdade, duas.
Ela era bem pequenininha, nem lembro a idade dela (uns 2 ou 3 anos, talvez), mas cabia no meu colo, e estava sentado em uma poltrona. Ela brigava com o sono, como toda criança pequena faz. Ouviamos “Meu Pé Meu Querido Pé”, CD do Hélio Ziskind. Quando chegou na 11º faixa, “Saquinho plástico“, ela começou a adormecer. E quando chegamos a faixa seguinte, “Marchinha da sereia“, ela já dormia profundamente. Srta. B tem a incrível habilidade de apagar de repente. Fecha os olhos e dorme, instantaneamente.
Naquele momento mágico muitas coisas passaram na minha cabeça. Não lembro de nenhuma, hehe, mas lembro de todos os detalhes daquele instante. Do sofá horroroso, da disposição do móveis na sala, da luz acesa, da trilha sonora, do amor incondicional que sentia. Disso eu lembro.
Guardei essa história pra mim por anos. Sei lá porque, mas só contei esses dias, depois de uma tentativa bem sucedida de acalmar o Sr. D tocando essas músicas no meu celular. A Sra. Paiéquemcria, depois de estranhar o que Hélio Ziskind fazia no meio de Velhas Virgens e afins, disse que ele reconheceu a música de quando eles ouviam durante sua gestação. O espaço que ficam essas músicas no meu disco rígido deve ter um buraco.
Beleza, o Sr. D também curtia a música, mas essa já tinha dona. Ainda não era a nossa música.
Indo a pé para o trabalho, ouvindo minhas músicas no modo aleatório, encontrei minha música com o Sr. D.
Com os olhos mareados (um cisco) e engolindo seco, fui trabalhar de coração leve.
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O Sr. Paiéquemcria tem um problema sério com cisco nos olhos.